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" Dai-me, Senhor, a perseverança das ondas do mar, que fazem de cada recuo um ponto de partida, para um novo avanço"Gabriela Mistral, poetisa

Domingo, 22 de Abril de 2012

Dia Mundial da Terra

Miguel Torga : A terra
 
Miguel Torga

Também eu quero abrir-te e semear 
Um grão de poesia no teu seio! 
Anda tudo a lavrar, 
Tudo a enterrar centeio, 
E são horas de eu pôr a germinar 
A semente dos versos que granjeio. 

Na seara madura de amanhã 
Sem fronteiras nem dono, 
Há de existir a praga da milhã, 
A volúpia do sono 
Da papoula vermelha e temporã, 
E o alegre abandono 
De uma cigarra vã. 

Mas das asas que agite, 
O poema que cante 
Será graça e limite 
Do pendão que levante 
A fé que a tua força ressuscite! 

Casou-nos Deus, o mito! 
E cada imagem que me vem 
É um gomo teu, ou um grito 
Que eu apenas repito 
Na melodia que o poema tem. 

Terra, minha aliada 
Na criação! 
Seja fecunda a vessada, 
Seja à tona do chão, 
Nada fecundas, nada, 
Que eu não fermente também de inspiração! 

E por isso te rasgo de magia 
E te lanço nos braços a colheita 
Que hás de parir depois... 
Poesia desfeita, 
Fruto maduro de nós dois. 

Terra, minha mulher! 
Um amor é o aceno, 
Outro a quentura que se quer 
Dentro dum corpo nu, moreno! 

A charrua das leivas não concebe 
Uma bolota que não dê carvalhos; 
A minha, planta orvalhos... 
Água que a manhã bebe 
No pudor dos atalhos. 

Terra, minha canção! 
Ode de pólo a pólo erguida 
Pela beleza que não sabe a pão 
Mas ao gosto da vida! 


**************************************************

 

 

 

 

 

 

publicado por miilay às 17:51
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8 comentários:

Miilay essa relva convida a rebolar em cima dela... eu adoro!
Talvez seja criancice mas não resisto e sempre que posso...
Um belo poema.
Com votos de resto de bom Domingo, mando um beijinho
Rosinda
Rosinda a 22 de Abril de 2012 às 20:02
Rosinda, nós somos eternas crianças, gostamos de ver os outros sorrir, e fazemos por isso.
Um Beijinho,Obrigada
miilay
miilay a 22 de Abril de 2012 às 20:06
Dá gosto ver esta imensidão de verde, que a chuvinha fez renascer. Apetece caminhar por ali como se de um tapete fofo se tratasse.

Beijos
Manu
Existe um Olhar a 22 de Abril de 2012 às 20:30
Manu, é mesmo, e sabes quando abro a minha porta da cozinha até à pouco via uma imensidão deste verde. Agora já andam a lavrar, para semear o milho.
Beijinho
miilay
miilay a 23 de Abril de 2012 às 19:13
Dá vontade de fazer um Caldo Verde.
Caravaggio a 23 de Abril de 2012 às 18:54
Seja bem vindo!Ah! para caldo verde tenho umas couves galegas!.
Percebi o que quis dizer.
miilay
miilay a 23 de Abril de 2012 às 19:17
Eu é que agradeço. Esta imagem fez-me lembrar uma amiga Checa/Praga que quando vem cá a Portugal fica em minha casa. Quando vamos almoçar ou jantar fora não se lembra do nome de caldo verde e, diz sempre que quer sopa de relva ou sopa de ervas. Adoro caldo verde e a couve galega é a couve que mais vitaminas tem. Como moro aqui a 100mts de praia, essa amiga quando quer ir lá diz....vamos tomar banho ao Oceano Atlântico!! Sempre bem vinda.
Essa forma de chamar as coisas é engraçada e criativa de fazer-se entender. Caldo verde= ervas! Está certo pelo menos come o que quer, e vai tomar banho no Oceano que deseja.Obrigada pela visita.
miilay
miilay a 24 de Abril de 2012 às 15:25

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